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Sexta-feira 13 de carnaval: Bad Vibes Brasil é o lançamento do dia

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

Texto por Juliana Trevisan


"Estamos, pois, na era da América Latina, primeiro produtor mundial de imaginação criadora, a matéria mais rica e necessária do novo mundo".


Li essa frase em um post no Instagram questionando se quem havia dito era Bad Bunny ou Gabriel García Márquez, escritor, jornalista, ativista e político colombiano, um dos maiores nomes da literatura do século XX. A frase em questão é de García Márquez, mas foi o cantor porto-riquenho quem nos deixou em destaque essa semana. Estamos vivendo também uma era de orgulho e pertencimento latino americano, como uma unidade fundamental para lutar contra ataques xenofóbicos, discutir decolonialidade, ou usar a vida, o amor e arte como resposta à opressões.


Esse movimento de resgate de elementos que nos diferenciam da branquitude europeia e nos reaproximam das cadeiras de plástico em frente à bananeiras dos nossos hermanos tem micro e macro dimensões. O carnaval é um desses lugares de celebração e pertencimento em macro dimensão, vivido na nossa carne (e terrivelmente no fígado) nos próximos dias de fevereiro.


O carnaval e o rock não costumam ser lados que gostam de conversar muito. Se fossem pessoas, o assunto morreria no ar depois de comentarem sobre a cara de chuva que tá no céu às quatro da tarde de um dia de verão, um usando preto e o outro com uma camisa de botão de estampa de oncinha.


Mas quem disse que não pra vestir a camisa de oncinha por cima da preta? É essa a proposta do Tiago Trotta nesse hit carnavalesco barulhento. Assim, ele não tá usando nenhuma camisa de oncinha exatamente, na verdade é uma jaqueta jeans aberta. O ponto, é óbvio, é essa junção sonora inovadora e completamente maravilhosa.


Ouça aqui em todas as plataformas.


Eu já tinha ouvido Bad Vibes Brasil antes, em alguns shows que tive a alegria de assistir (sim, porque são sempre muito animados e risonhos e bem performados), mas quando ouvi a gravação, fiquei completamente encantada.


Desde Such a Beach (2020), e principalmente com o lançamento dos singles da Enciclopédia de Fantasmas, começando em 2023, Trotta vestiu o rock tropical e seu trabalho foi ficando cada vez mais ensolarado.


Foto: Marina Esther
Foto: Marina Esther

E, veja bem, isso não significa que Trotta só fale de coisas felizes agora, porque nossa tropicalidade também é ter que lidar com uma série de questões socioeconômicas, problemas políticos e ansiedades capitalistas que nos atravessam e consomem essa alegria. A alegria brasileira é resistência. E é muito barulhenta.


Barulhenta tipo o pedal de fuzz com distorção que o Trotta usa em Bad Vibes Brasil, harmonizado incrivelmente com congas impecáveis. É impossível ficar parado ouvindo essa música, sinto como se as congas fossem as batidas do meu coração. Como se a guitarra pesada fosse o sangue pelas minhas veias — eu sei que você vai entender o que eu tô dizendo quando você ouvir essa pedrada vendo o sol na sua janela, descalça no quarto, pensando na sua fantasia pro bloco de hoje.


O rock tropical explorado por Tiago une virtuosidade a camadas de guitarras ruidosas e swingadas, vocais rasgados e limpos além das percussões 100% made in Brasil, a terra natal da P.Q.P.. O hit é a união física do rock com o carnaval, da revolta com a alegria, da ambiguidade da bad vibe que tem consolo no abraço grudado no meio do bloco. Bad Vibes Brasil é um pedaço de música independente no nosso orgulho latino.


Foto: Marina Esther
Foto: Marina Esther

Ficha técnica:

Congas: Rick Vargas

Masterização: Rafael Asa

Todo o resto (captação, mixagem, instrumentos, vozes, etc): Tiago Trotta

Foto de capa: Marina Esther




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