Contos da Crypta: detalhes sobre a gravação do "Echoes of the Soul"

Texto por Juliana Trevisan


Formada por Fernanda Lira, Luana Dametto - que tocavam juntas já na Nervosa -, Tainá Bergamaschi (que é nossa vizinha aqui de Barbacena) e Sonia Anubis, a banda de death metal lançou o disco de estreia "Echoes of the Soul" dia 11 de junho pelo selo Napalm Records e chegou com os dois pés na porta.



O nome surgiu em uma turnê da Nervosa na Europa, mais precisamente em um dia de descanso na República Checa, onde Luana e Fernanda foram visitar algumas criptas e acharam que o nome soava bem e era propício para uma banda de death. A criação da banda veio de modo natural, já que Fernanda e Luana pensavam juntas sobre fazer um outro tipo de som também - artistas em mais de uma banda é algo bastante comum, inclusive apoio.


Quando decidiram oficializar o nascimento da Crypta sabiam que Sonia seria A guitarrista, até que Tainá se ofereceu pra tocar com elas e o encontro das quatro foi definitivo. Grande parte do processo de composição foi feito durante a pandemia então era comum que uma começasse a música e as outras fossem inserindo riffs e letras de modo remoto.



"Echoes of the Soul" foi gravado em 21 dias no estúdio Family Mob, de Jean Dolabella e Estavem Romera, mixado por Arthur Risk e masterizado por Jens Bogren. Ficaram em uma casa ao lado do estúdio para que não houvesse nenhum contato externo e que todas as pessoas envolvidas (elas e o pessoal do estúdio) estivessem seguras. Em alguns vídeos disponíveis no canal da Napalm elas contam com detalhes como foi o processo e quais equipamentos usaram. Abaixo o primeiro de uma série de 3:



E é claro que, como esperado de uma banda de death metal, um dos temas principais abordados no álbum é a questão da morte. A própria arte da capa traz um caixão meio monstruoso e um ar macabro advindo da névoa e das gárgulas demoníacas. Várias questões existenciais e uma pitada de política foram inseridas nas canções, como a abordagem da fome em Starvation (que também foi single), os demônios internos em Shadow Within e o processo de miscigenação do Brasil em Blood Stained Heritage.



É interessante notar também algumas imagens femininas nas letras como a deusa hindu Kali, a morte em Death Arcana e a fênix em From the Ashes, personagens que de modo geral trazem uma potência do fim de um ciclo e a morte de visões auto centradas. A ideia de uma possível esperança derivada do fim também é representada na capa pelas luzes das velas e pela fresta aberta no caixão.



Além de um álbum extremamente rico e bem executado, as integrantes estão oferecendo um conteúdo de bastidores brilhante e inspirador tanto para quem também tem banda quanto pra quem só curtiu o som e tem curiosidade de saber mais. Isso aproxima os ouvintes criando uma nova relação com a banda e com o disco. Em um vídeo abordando faixa a faixa, Luana e Lira comentam sobre o processo de composição das canções e em um vídeo behind the lyrics Fernanda chega no cerne e conta de onde surgiu a inspiração para as letras, além dos vídeos de Taína e Sonia mostrando solos e riffs de guitarra e os playthrough disponíveis no canal da Napalm . Luana também nos conta sobre a origem do nome e da arte da capa no vídeo mais recente. Ou seja, temos basicamente todos os detalhes sobre o disco no canal da Crypta.


Essa série de vídeos making off e a forma como uma banda criada em meio a pandemia se comunica com o público mostra as diferentes possibilidades e ferramentas que os artistas têm em mãos para estabelecer um vínculo maior com o fã. Em época de necessidade de isolamento, a Crypta se aproximou de seu público e criou uma legião de adeptos que já consideravam o disco espetacular antes mesmo de seu lançamento (e certamente não se decepcionaram).



Fotos inseridas no corpo do texto: Estevam Romera

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